quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Haikai




Tem coisas que não podem ser ditas...
Tem coisas que só o coração pode entender
na brevidade da vida.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Intinerário de poeta




Dizer o inaudito.
Perder-se na entrelinha
da folha do tempo.
.
.
Amar o perdido,
deixar consumido
um lamento.
.
.

Cantar nessa ida,
gritar no caminho
que a vida é veloz.
.
.
Silenciar a partida
da dor infinita
algoz.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

Conceito fracassado de poesia



Essa beleza que nos encanta
não quer dizer nada somente...
Quem pensa o contrário se engana,
a poesia é o barco perdido o leme.


Essa beleza divina, matéria pura...
Essa coisa insondável, escura e límpida...
Essa coisa que vai para além da altura
se mostra para os homens do obscuro vinda.

domingo, 7 de setembro de 2008

O que é o poema ?



De que falarei senão do impossível?

Um poema é meramente um recôndito impossível. Uma luz indefinível tentando romper com o véu da realidade...

Um poema não é mais que um soprovivo em uma tardetriste.

Exatamente assim. "Soprovivo", "tardetriste"... união impossível.

De que falo senão da rocha ensimesmada em um mundo de nostalgia e ilusão? O que é o poeta senão o passante perdido nesse mundo de grito e silêncio?

Nele o poeta tentará dormir, mas o sono também será de uma luz e de um alívio incansável. Nele o poeta tentará dizer palavras compreensíveis, mas compreenderá apenas a tentativa fracassada de romper em versos o que sua natureza encobre. Nele o poeta se reconhecerá no vento que banha o rio transportando gotas de água e luz.

O que é a poesia senão todo esse desfecho desvairado em que o poeta está perdido? O que são seus versos senão o rompante augusto colocando em opostos lados ilusão e realidade?

Direi então sem mencionar no sopro o intemerato grito. O poema apenas é meramente o sonho perdido no recôndito insondável de um ser que sente.

sábado, 17 de maio de 2008

O que é ser poeta ?



Todo poeta sabe pouco. Todo saber pouco será sempre uma conquista para os menos capazes. O poeta não é maior que sua poesia. Nunca será aquilo que pode ser, nem parecerá ser o que não pode.
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Todo poeta sonha. Todos os sonhos são feitos de pequenas partes que se confundem. Todo poeta é confuso.
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Suas poesias são como o mar. Primeiro revela o inaudito, depois o indecifrável. Todo poeta é uma interrogação numa folha em branco.
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Todo peta fala pouco. Todas as palavras que eles dizem são como brisas errantes numa tarde de sonho e luz.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Elly Ramos




Eu dizia (num sonho que tive) ser impossível falar sobre teus versos, palavras ainda não ditas semelhantes a folhas fugazes numa tarde de sonho e luz.

Eu dizia que quereria conter a essência das cores perdidas dos campos, para que com tua incerteza, de poeta ainda que certa, divagar como sonhos perdidos.

Eu dizia estar preso nos estilhaços das águas límpidas e você era o todo nessa transitoriedade entre o real e o imaginado.

Eu dizia que você era uma flor que de mistério avança como a brisa errante e disforme. Eu falava que na brisa errante e disforme um não sei quê de beleza explicava as entrelinhas de poesias ainda não escritas.

Eu ponderava que nas poesias ainda não escritas, no íntimo de cada verso, tu pairavas no infinito.

domingo, 20 de abril de 2008

Impossível



Um dia o sol para a lua sorriu.
Um dia a lua para o sol cantou
e então a rosa do campo consentiu
um beijo tímido entre os dois.

Um dia o longínquo brilho
um beijo da noite roubou.
E a noite gostando do beijo
atirou pedras na distância que os separavam.

Um dia o Mar para a Estrela acenou.
Um dia a Estrela pelo Mar se encantou
e se amaram sem medo eternamente
pois o que parecia impossível se dissipou.