sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008

Contradições da existência



No seu "Livro do Desassossego" o grande Fernando Pessoa dizia que a decadência é a perda total da inconsciência; porque a inconsciência é o fundamento da vida. O coração, se pudesse pensar pararia. Isso é perfeitamente evidente e provável. Contudo,"o coração tem razões que a própria razão desconhece". E isso é também provável e absoluto.
Pretendo que a poesia tenha o poder de em meio ao sofrimento e ao desamparo acender uma chama que ameniza e dá perspectiva aos humanos.
Se não existisse a poesia tudo seria um caos sem a perspectiva necessária.


É como diz a poesia:

Somos um pouco de sonho.
Um sopro de abandono
um grito
um nada.


Somos um punhado de loucura
na voz portentosa do vento...
um lamento.


Uma queixa despercebida
perdida nas asas
do tempo.


Um surto de compaixão
um pouco do ilógico perdido
então,


Não percebemos no tempo
Que somos um agora perdido...
Um pouco de luz no infinito
Vagando num mar sem remo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Mar Bravio




Aonde vais, pálida inocente, absorta sob o ar que fulgua longe da terra primeira que sustenta teu brilho docemente?
Onde jaz agora que o sol indeciso se esconde por traz das montanhas?
Para que bosque o sonho te guia quando o canto da flor é errante e vaga indecisa, medrosa?
_ Para qualquer paisagem formosa onde a dor se cala em desmaios, pois o primeiro passo das ondas no mar bravio, é incerto.
Para qualquer terra tão longe. Para qualquer porto vazio. Para qualquer serra distante, perdida.
Nesse mar bravio que me guia, para longe da terra de meus passos sentidos, onde o canto dos pássaros em revoada revela um não sei quê de soberano, sinto-me mais próxima daquilo que palavras incertas não dizem. Eu e o mar somos partes de um todo que se confundem.

Canção à Bahia



"Minha terra tem palmeiras"
minha terra é de amores
minha terra abriga o mar
como mãe a embalar
imensidade de flores.


Minha terra tem encantos
e formosura de cores
tem história luzidia
e imensidade de flores.


Minha terra chora e canta
para seus filhos em louvores.
Minha terra é meu paraíso
de imensidade de flores.


"Minha terra tem palmeiras"
Minha terra é de amores.
Minha terra é soberana
com sua imensidade de flores.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Incertezas





Talvez não seja certo dizer que a vida não tem sentido e que é apenas inutilidade tudo aquilo que fazemos. Talvez não estejamos corretos em afirmar assim como Rousseau que o homem nasce bom, que a sociedade o corrompe, que é mais fácil conhecer a extensão do universo do que penetrar em si mesmo para estudar o homem e conhecer sua natureza, seus deveres e seu fim. Talvez não seja certo afirmar assim como Nietzsche que Deus está morto e que a teoria do ''livre-arbítrio'' é anti-religiosa. Talvez não seja correto afirmar assim como Schopenhauer que o cristianismo é uma profunda filosofia do pessimismo. Talvez não seja correto ter certeza alguma. As vezes a incerteza é a única certeza.

quarta-feira, 16 de janeiro de 2008

Canto I




Ó pobre dobre
Que encobre
O triste norte.

O triste norte
Sem suporte
Do amor vazio.

Vaga em lágrimas
E não mais fala.

Que a vida é bela
Sem ter com ela
Junto à cela.


Canto II

Lanças brancas
Brancas lanças.

Passos firmes
Firmes passos.

Olhares duros
E tenebrosos.

Das mortas esperanças
Dos guerreiros amortalhados.